Cinemas Negras: A estética do Cinema Negro Feminino Contemporâneo

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Rosa Miranda - Mestranda da Universidade Federal Fluminense

O audiovisual em geral, cinema em particular, sempre foram sinônimos de privilégios, capital cultural e financeiro e ainda, símbolos de branquitude que articula um discurso discriminatório da população negra, a ideia de superioridade branca sempre foi exposta na tela, consequência dos realizadores da sétima arte serem homens brancos. Conforme dados da ANCINE (Agência Nacional do Cinema) recentes pesquisas comprovam que mais de 70% das produções brasileiras de longa metragem distribuídas comercialmente em 2016 foram dirigidas por homens brancos, e nenhuma diretora ou roteirista negra, porém o mesmo não acontece quando examinamos os curtas metragens exibidos em festivais e mostras audiovisuais.

O ingresso dessas mulheres no audiovisual vem através dos avanços tecnológicos e a popularização das câmeras fotográficas e filmadoras em aparelhos celulares, somado às políticas públicas e os acordos internacionais que fizeram a economia do Brasil crescer, além do baixo custo na importação de produtos tecnológicos e os investimentos em criação de espaços não formais de formação de cinema, financiados e fomentados com editais públicos, que garantiram acesso às populações periféricas a linguagem cinematográfica. Foram sementes plantadas que dão frutos hoje com tantas realizadoras negras que ingressaram no cinema a partir dessas iniciativas.

O cinema produzido por mulheres negras contemporâneo é rico e diverso, tanto nos temas abordados, quanto nas imagens produzidas e o aumento constante dessa produção audiovisual. Infelizmente por muitas vezes esses filmes acabam marginalizadas em espaços de exibição com pouca visibilidade do grande público.

A curadoria, feita por Rosa Miranda e Uilton Oliveira, privilegiou produções femininas negras e inscritas na 2° Mostra de Filme Marginal, que não foram exibidas no XI Encontro Internacional de Cinema Negro Zózimo Bulbul: Brasil, África e Caribe. É inspirador ver tantos olhares diferentes dentro da sétima arte.

Assistir a filmes feitos por essas realizadoras, potencializa o debate sobre as relações raciais no Brasil. Evidenciar essas produções e perceber a crescente do cinema negro feminino possibilita dar visibilidade à população negra brasileira e nos ajuda a entender quais são os modelos de produção desse cinema independente. Dizer que não há mulheres negras criadoras, pensantes em cinema no país é preocupante, para não dizer indignante. Ainda mais que esses dados vêm a partir de um recorte de uma minoria de filmes produzidos no país, afinal se produzem mais filmes de curta-metragem do que de longa- metragem.

No intuito de circular essas imagens e debater sobre a construção fílmica dessas mulheres, a Mostra de Filme Marginal em parceira com a Kbça D’ Nêga Produções realizaram duas sessões especiais com filmes de cineastas negras brasileiras. A primeira aconteceu no dia 19 de setembro de 2018, no Centro Afro Carioca de Cinema/RJ e a segunda no dia 09 de novembro na Sala Walter da Silveira/BA. Após as exibições aconteceram importantes debates.

Salve as cinemas negras!

Salve as cineastas negras brasileiras!

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